O novo episódio de «The Revolution Will Be Televised» reúne o realizador português Sérgio Graciano e Coréon Dú para fazer uma retrospetiva de uma trajetória marcada pela colaboração entre Portugal e Angola, pelo reconhecimento internacional e pelas mudanças que a indústria audiovisual está a atravessar.
O cineasta, que já trabalhou tanto no cinema como na televisão, partilha com a Coréon Dú algumas das experiências que marcaram a sua carreira e reflete sobre a necessidade de transitar entre diferentes formatos, mercados e linguagens criativas.
Uma trajetória construída entre Portugal e Angola
A conversa aborda algumas das colaborações entre os dois profissionais, entre as quais “Njinga, A Rainha de Angola”, «Windeck» e «Jikulumessu». Para Graciano, regressar a Angola para rodar «Njinga» significou reencontrar um país que já conhecia e ao qual regressou com um olhar diferente: «Angola é um país extremamente cinematográfico», explica ele durante o episódio.
O realizador destaca também a evolução da indústria audiovisual angolana e o talento que tem vindo a desenvolver-se nos últimos anos. Na sua opinião, a produção e a experiência acumulada serão determinantes para que o setor continue a crescer e consiga alcançar uma maior projeção internacional.
A sua própria trajetória também reflete essa ligação entre os mercados. Após os seus primeiros trabalhos em Angola, Graciano consolidou a sua carreira em Portugal, trabalhando tanto no cinema como na televisão. Um percurso que o levou a situar-se, segundo explica, numa posição intermédia entre ambos os mundos.
Criar sem ficar encaixotado
Um dos temas centrais da conversa é, precisamente, a dificuldade de enquadrar os profissionais criativos em categorias rígidas. Graciano defende uma trajetória híbrida, capaz de combinar cinema, televisão e projetos de natureza diversa.
“Quero estar nesta zona meio híbrida”, afirma o realizador, que considera que ainda existe algum preconceito em relação a quem trabalha simultaneamente em projetos comerciais e de autor. Para ele, a oportunidade de transitar entre ambos os espaços permite alargar as possibilidades de criação.
A conversa aborda também o impacto das novas tecnologias e da inteligência artificial no setor audiovisual. Graciano considera que estas ferramentas irão transformar a forma de fazer cinema e televisão, mas defende que deverá haver sempre uma pessoa por trás das decisões criativas.
Para além dos prémios e reconhecimentos — entre os quais o Emmy Internacional —, o realizador aposta em continuar a experimentar e a aprender. Para encerrar o encontro, resume a sua visão sobre o trabalho criativo numa ideia simples: “criar, criar, criar”.
Através desta conversa, «The Revolution Will Be Televised» volta a colocar em destaque as pessoas que trabalham nos bastidores das produções audiovisuais e as transformações que estão a redefinir a forma de contar histórias.