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A gastronomia africana conquista novos públicos internacionais

A gastronomia africana está a encontrar novas formas de chegar ao público internacional. Restaurantes, chefs, redes sociais e novas propostas culinárias estão a contribuir para dar maior visibilidade a uma cozinha diversificada que, durante muito tempo, ficou à margem dos grandes circuitos gastronómicos internacionais.

Da tradição às novas mesas

Mais do que uma moda passageira, a gastronomia faz parte da identidade cultural de muitos comunidades africanas. A UNESCO salienta que as práticas relacionadas com a alimentação transmitem conhecimentos, técnicas e tradições entre gerações e contribuem para reforçar os laços sociais e o sentimento de pertença.

Um exemplo é o Ceebu Jën, um prato tradicional senegalês à base de arroz, peixe e legumes, inscrito desde 2021 na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade. As suas receitas e técnicas são tradicionalmente transmitidas de mães para filhas e fazem parte da identidade senegalesa.

Uma cozinha que também se reinventa

Ao mesmo tempo, uma nova geração de chefs e criadores está a reinterpretar ingredientes e receitas tradicionais para novos públicos. Nas redes sociais, pratos como o jollof rice, o suya, o mafé ou o próprio Ceebu Jën aparecem cada vez com mais frequência em conteúdos gastronómicos internacionais.

Esta visibilidade está também a permitir recuperar produtos e técnicas que tinham sido relegados para segundo plano face a modelos gastronómicos importados. No Senegal, por exemplo, iniciativas ligadas à cozinha tradicional reivindicam o papel da gastronomia local e daqueles que mantêm vivas estas práticas.

A expansão internacional destas cozinhas não representa apenas uma oportunidade para restaurantes e chefs. Permite também dar a conhecer África através dos seus próprios sabores, ingredientes e histórias, transformando a gastronomia numa outra forma de conhecer um continente diversificado e em constante transformação.