Coreon Du

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África e a nova economia dos criadores digitais

As redes sociais abriram novas vias para que os criadores africanos conquistem públicos, desenvolvam projetos e transformem a criação de conteúdos numa atividade profissional. O YouTube, o TikTok e o Instagram permitem que as iniciativas nascidas em cidades como Lagos, Acra ou Nairobi alcancem públicos muito para além das suas fronteiras.

Das redes sociais para uma profissão

O fenómeno vai além do entretenimento. Os criadores digitais também se tornaram novos intervenientes na comunicação, capazes de informar, divulgar e criar comunidades em torno de interesses muito diversos. De acordo com um estudo promovido pela UNESCO, 67% das pessoas entre os 18 e os 35 anos inquiridas em África recorre às redes sociais para se informar, enquanto 73% dos criadores entrevistados manifestou interesse em receber formação e profissionalizar a sua atividade.

Esta transformação está a gerar novas oportunidades, mas também coloca desafios. A profissionalização, a verificação da informação, a monetização e o acesso à formação estão entre as questões que o setor deve enfrentar para se consolidar.

Uma nova geração com o seu próprio público

A UNESCO começou a dedicar uma atenção específica a este fenómeno e, em 2025, reuniu criadores do Gana e da Nigéria, juntamente com representantes de universidades africanas, para debater como melhorar a sua formação e profissionalização. A organização salienta ainda que os criadores alcançam milhões de pessoas ou comunidades altamente especializadas, tornando-se atores relevantes no ecossistema digital.

Para além dos números, as plataformas estão a permitir que sejam os próprios criadores a definir que histórias querem contar e como querem fazê-lo. Humor, música, gastronomia, atualidade, moda ou educação coexistem num ecossistema digital em que as fronteiras geográficas têm cada vez menos importância.

A expansão desta nova economia criativa revela, assim, outra dimensão do talento africano: uma geração que não só consome conteúdos globais, mas também produz as suas próprias narrativas e encontra na Internet uma forma de as levar a novos públicos.